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| Refinanciamento imobiliário: Buscar bancos médios tende a ser mais vantajoso (Kira-Yan/Thinkstock) |
São
Paulo — O refinanciamento imobiliário, ou empréstimo com imóvel de garantia, é um dos tipos
de crédito mais
baratos do mercado. A taxa média de juros dessa modalidade é
de cerca de 22,5% ao ano, enquanto a do crédito consignado a servidores
públicos, por exemplo, ronda os 26%, e o consignado ao setor privado, 42,3% ao
ano.
Embora
não seja indicado a todos, o refinanciamento imobiliário é uma boa opção para
quem pode comprovar renda, possui um imóvel quitado e precisa de
um empréstimo de longo prazo, de valor alto e com o menor juro possível. É
para obter o dinheiro que você precisa para realizar um grande projeto pessoal,
como reformar a casa, fazer um curso de longa duração no exterior ou investir
na sua própria empresa.
Mesmo
se tratando de uma opção de crédito barato, é fundamental pesquisar e comparar
os juros entre instituições diferentes na hora de contratar o refinanciamento
imobiliário. Qualquer diferença certamente terá um peso relevante no seu bolso
em um período de 10, 15 ou 20 anos.
Levantamento
de EXAME.com e do especialista Marcelo Prata, fundador dos sites Canal do Crédito e Resale.com.br, mostrou que as taxas mensais de
juros dessa modalidade podem variar até 1,05 ponto percentual entre os bancos
grandes e médios. Confira abaixo.
|
|
Taxa de juros (ao mês)
|
Indexador
|
Prazo máximo (meses)
|
Empréstimo mínimo (em R$ mil)
|
Empréstimo máximo (em R$ milhão)
|
Valor mínimo do imóvel (em R$ mil)
|
|
Banco do Brasil
|
de 1,75% a 2,20%
|
–
|
180
|
20
|
3
|
40
|
|
Bradesco
|
a partir de 1,16%
|
–
|
120
|
não informou
|
não informou
|
não informou
|
|
Santander
|
de 1,22% a 1,39%
|
–
|
240
|
30
|
2
|
70
|
|
Itaú Unibanco
|
de 1,67% a 1,74%
|
TR
|
não informou
|
não informou
|
não informou
|
não informou
|
|
Caixa
|
de 1,5% a 2,05%
|
TR
|
240
|
20
|
não tem
|
30
|
|
BV Financeira
|
1.35%
|
IPCA
|
240
|
40
|
1
|
100
|
|
BV Financeira
|
1.70%
|
–
|
120
|
40
|
1
|
100
|
|
Cia Domus
|
de 1,15% a 1,28%
|
IPCA ou IGPM
|
180
|
50
|
1
|
150
|
|
Cia Domus
|
1.78%
|
–
|
120
|
50
|
1
|
150
|
|
Banco Sofisa
|
1.39%
|
IGPM
|
180
|
80
|
2
|
200
|
|
Banco Daycoval
|
1.90%
|
–
|
180
|
50
|
1
|
100
|
|
Barigui
|
1.22%
|
IPCA
|
180
|
50
|
1.5
|
100
|
|
Barigui
|
1.90%
|
–
|
180
|
50
|
1.5
|
100
|
|
Banco Inter
|
1.40%
|
IPCA
|
180
|
50
|
2.8
|
200
|
|
Novi
|
de 1,25% a 1,42%
|
IGPM
|
180
|
50
|
2
|
150
|
|
Creditas
|
de 1,15% a 1,50%
|
IPCA
|
240
|
30
|
até 60% do imóvel
|
150
|
Fonte:
Bancos e Canal do Crédito
Médios
vs Grandes
Segundo
Prata, o principal motivo que explica a diferença das taxas entre bancos médios
e grandes é o foco de atuação. “Para o grande banco, não é uma prioridade. Ele
tem linhas de crédito onde ganha mais dinheiro. Muitas vezes o grande banco só
oferece o refinanciamento para o cliente que já está endividado em outras
modalidades de crédito dentro da instituição.”
Já
os bancos médios olham para o refinanciamento com outros olhos. “É o principal
negócio deles, por isso oferecem taxas mais atraentes e condições, no geral,
melhores”, explica Prata. Segundo o especialista, tomar um empréstimo de uma
instituição de menor porte não deve intimidar os consumidores.
“A
operação é segura em qualquer instituição. No caso de uma possível quebra
do banco, o contrato de empréstimo seguirá valendo e, no caso de cessão ou
compra dessa carteira de recebíveis por um terceiro, a relação do tomador do
empréstimo seguirá com o novo credor”, afirma.
É
parecido com o “patrimônio de afetação”, que se aplica no caso das
incorporações imobiliárias, no sentido de que esses imóveis não podem ser
“penhorados” para arcar com dívidas do banco, uma vez que eles são garantia de
uma operação de empréstimos e não propriedade do mesmo.
Além
da taxa menor, outra grande vantagem dos bancos médios é a análise de crédito,
que é feita de uma forma bem mais aproximada do tomador do empréstimo do que as
grandes instituições fazem.
“Como
este é o principal negócio dos bancos médios, eles não ficam restritos a listas
de negativados de bureaus de crédito. Eles mergulham no balanço da empresa, se
for um empresário querendo dinheiro para colocar de capital de giro de sua
companhia, olham o fluxo de caixa, e até fazem visitas em alguns casos”, afirma
Prata.
Luiz
Albornoz, sócio da Novi Soluções Financeiras, especializada refinanciamento
imobiliário, cita, porém, uma vantagem dos grandes bancos: abrangência
geográfica de atuação.
“Eles
não têm muita restrição para cidades mais distantes porque têm agências lá. Já
os bancos médios têm restrição para fazer operações em cidades mais distantes
porque elas se tornam muito onerosas em caso de calote.”
Risco
vs Vantagem
O
risco de um refinanciamento imobiliário, é claro, tem que ser considerado. Como
é o seu bem que está em jogo, é preciso se informar e conhecer todos os
detalhes do processo.
Antes
de pegar esse tipo de empréstimo, você tem que checar se ele está de acordo com
as suas necessidades e possibilidades, ou seja, se ele será suficiente para
você atingir o seu objetivo e se ele caberá no seu bolso.
Engana-se
quem pensa que o banco, seja ele grande ou médio, quer que você fique
inadimplente para tomar o seu imóvel. Isso porque o imóvel para o banco
representa custo. Já o empréstimo significa lucro (mesmo com a taxa de juros
menor).
Quando
o cliente não paga e o banco fica com o direito de propriedade do imóvel, ele
automaticamente se torna responsável pelos custos de manutenção do bem,
como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e condomínio, se for
um apartamento.
Também
há outros custos para a instituição financeira, como o ITBI (Imposto sobre a
Transmissão de Bens Imóveis), que varia de estado para estado —em São Paulo é
de cerca de 3% do valor do imóvel, por exemplo.
Quando
há o calote, é realizado um leilão de venda do imóvel. Se ele for bem-sucedido,
o banco fica com a quantia que faltava para o devedor quitar a dívida e o
restante fica com o ex-proprietário. Já se o leilão não for bem-sucedido, há
uma segunda tentativa. E, se nenhuma das duas tentativas resultar na venda do
imóvel, o bem passa a ser 100% do banco e o devedor fica sem nada.
Mas,
uma vez que você tem certeza de que as parcelas vão caber no seu bolso, o
refinanciamento vale, sim, a pena. Uma simulação feita por Prata, do Canal do
Crédito, mostrou que, ao tomar um empréstimo de 50 mil reais em um
prazo de 60 meses, uma pessoa pode economizar até 307 mil reais em juros,
dependendo da modalidade escolhida. Veja abaixo.
|
Modalidade
|
Crédito c/ Garantia do Imóvel
|
Consignado Público
|
Consignado INSS
|
Consignado Privado
|
Crédito Pessoal
|
Cheque Especial
|
|
Taxa efetiva, em % ao mês
|
1,67
|
2,04
|
2,104
|
2,856
|
5,066
|
12,89
|
|
Valor final da operação, em R$
|
79.548,60
|
87.141,60
|
88.405,80
|
105.168,60
|
160.347,60
|
386.968,20
|
A
simulação não considerou taxas de contratação, IOF (Imposto sobre Operações
Financeiras) e eventuais seguros. Além disso, o prazo estipulado foi
adotado apenas para fins de comparação e pode não condizer com as condições de
todos os produtos mencionados.
Desconhecimento
Um
dos desafios para o desenvolvimento do mercado de empréstimo com imóvel de
garantia no Brasil, segundo Sergio Furio, CEO e fundador da Creditas, é o
desconhecimento. “A maior parte das pessoas acaba chegando nesse tipo de
crédito através de buscas na internet, mas não há divulgação.”
O
executivo comenta que, no exterior, o refinanciamento imobiliário é muito mais
conhecido. “Deveria ser aqui também, mas existe uma cultura da casa própria que
deixa as pessoas muito assustadas com a possibilidade de perder o imóvel e elas
não sabem que o bem pode fazer parte de seu planejamento financeiro.”
FONTE:- EXAME.COM

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